Guardem bem esses nomes, porque eles são os responsáveis por um dos mais abomináveis atos que o Ministério da Educação poderia intentar.
O Ministério da Educação e Cultura quer acabar, até o final do presente ano (2011), com as escolas especializadas INES (Instituto Nacional de Educação dos Surdos) e com o Instituto Benjamin Constant, especializada no ensino dos cegos, situados em Laranjeiras e Urca, respectivamente. São colégios centenários, sob responsabilidade do Governo Federal, fundados em tempos em que os governantes tinham o COMPROMISSO com um ensino de qualidade e que visasse a inclusão dos deficientes visuais e fono-auditivos não só ao mercado de trabalho, mas à vida, lhes dando mais dignidade.
Entretanto, saudosos tempos...eis que não voltam mais. Não temos hoje, governantes que se importem com a inclusão e dignificação dos que necessitam de amparo e um ensino de qualidade e especializado às suas limitações. Esta senhora, Martinha Claret, justifica que tal medida deve ser tomada para que se evite a perpetuação das "políticas de gueto", que oferece métodos de ensino diferenciado.
POLÍTICAS DE GUETO???
O Instituto de Aplicação do INES "abriga" aproximadamente 500 alunos com necessidades especiais fono-auditivas, desde o maternal até o último ano do ensino médio, além de ser o único órgão a formar pedagogos aptos ao trabalho com crianças e jovens surdos, ministrando aulas em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). No Instituto Benjamin Constant, são cerca de 300 alunos, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. O MEC pretende acabar com esses colégios para "jogar" seus alunos em escolas de ensino regular, escolas comuns sem qualquer especialização para receber esse público especial, com profissionais sem qualquer qualificação, fechando centros educacionais que, além de lidarem com os portadores de necessidades indubitavelmente especiais, formam profissionais preparados para esse tipo de ensino, como no caso do INES. E é essa a política de inclusão do MEC - Ministério da Educação (???) e Cultura? Diz-se que tais Institutos segregam os deficientes da sociedade, e que é necessário incluí-los em escolas de ensino regular. “As pessoas não podem ser agrupadas em escolas para surdos porque são surdas”, de acordo com a digníssima Sra. Martinha Claret.
E isso não seria a verdadeira segregação?
Muito falamos em Bullying e em medidas para evitá-lo, mas é isso mesmo o que vai acontecer com os jovens e crianças cegos e surdos que forem matriculados em escolas públicas comuns, por não terem o auxílio de profissionais especializados, além de estarem com crianças e jovens que não têm preparo para lidar com esse público especial.
Temos, de uma vez por todas, de parar com o SOFISMO neo-político de inclusão, causando potenciais danos a cidadãos que, por eras, foram excluídos do convívio social justamente pela inadequação dos métodos de ensino às suas peculiaridades.
Ao invés dessa funesta tentativa do MEC de inviabilizar uma possibilidade real de inclusão de CENTENAS de jovens e crianças - e até adultos - à vida social e ao mercado de trabalho, deveria ter CORAGEM para aumentar o número de Instituições que os acolhesse, aprimorar o ensino nessas áreas especiais, capacitar mais educadores especializados, investindo em material didático que suprisse as necessidades educacionais do setor, já que não o faz no ensino público regular. E se o Governo Federal é INCOMPETENTE para fazê-lo, que o Estado ou o Município, por suas respectivas Secretarias de Ensino, comprometa-se em realizar as adequações educacionais necessárias, com a criação de políticas públicas efetivamente contribuam com a inclusão social dos portadores de deficiências visuais e fono-auditivas.
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