Áureos tempos em que o alistamento militar era orgulho dos pais e jovens conscritos (e o desespero de uns poucos). Época esperada por muitos para, enfim, demonstrar amor e valor à sua Pátria Mãe. Exaltado no glorioso "Hino do Soldado", que textua em sua primeira estrofe: "Nós somos da Pátria a guarda, fiéis soldados, por ela amados. Nas cores de nossa farda, rebrilha a glória, fulge a Vitória (...)". Eu mesmo, cantei por inúmeras vezes tal hino, com indizível orgulho de trajar o indefectível "camuflado verde", com minha boina azul estilo "francesinha" e coturno brilhando mais do que a lua em noite de inverno, em minha tão querida e saudosa Aviação do Exército.
Ainda lembro de meu alistamento. Foi na Zona Norte do Rio de Janeiro, em um pólo de atendimento "da prefeitura". Cheguei às 6 da manhã e recebi a senha às 7 horas. Logo fui atendido, recebendo o encaminhamento para o quartel, para a apresentação. Tudo rápido e fácil.
Áureos tempos, que não retornam jamais.
Atualmente, as coisas são absolutamente diferentes. Em diversas cidades brasileiras, os jovens têm sofrido uma verdadeira Via Crucis para cumprir com sua "obrigação" constitucional. Em especial, no Rio de Janeiro, onde os jovens chegam a ficar 18 horas na fila enfrentando fome, sede, perigos para, no final, serem dispensados sem qualquer deferência dos responsáveis pelo alistamento. E quem é o responsável pelo alistamento militar? Se você pensou em Exército, errou. No Rio de Janeiro, é a PREFEITURA, de acordo com uma lei da década de 70 que lhe atribui a responsabilidade pelos pólos de atendimento. Mas nem mesmo a Prefeitura sabe da existência dessa lei. Mas para os jovens, não interessa saber dos responsáveis. Lhes interessa serem atendidos, respeitados, ainda que pela obrigação imposta pela Carta Magna, neste Estado Democrático de Direitos que veda a alternativa de não-alistamento. O Estado não pode, de forma alguma, destruir os sonhos patrióticos de quem inicia a vida adulta, ou estará destruindo a confiança, já tão frágil, do povo, no próprio Estado.
