terça-feira, 31 de maio de 2011

Sujeira na Baía de Guanabara já afeta transporte nas barcas

Sem controle ou coleta suficiente, o lixo jogado na Baía de Guanabara já afeta um dos principais meios de transporte entre Rio e Niterói. A sujeira às margens da Praça XV, no Centro, mostrada na foto feita pela leitora Aline Targino nesta segunda-feira (30), é recorrente e, segundo a Barcas S.A, está causando danos cada vez maiores às suas embarcações.

"Passo por ali todos os dias e sujeira de hoje impressionou não só a mim, mas a todos. É lixo demais na Baía de Guanabara!", afirma a internauta.

De janeiro a abril deste ano, três embarcações da Barcas S.A foram para o estaleiro por conta de problemas causados pelo lixo, de acordo com a concessionária. O entupimento de dutos de refrigeração dos motores por detritos e peças danificadas são os prejuízos mais comuns. Com menos barcas em circulação, os passageiros têm que amargar um tempo maior de espera nas estações.

Apesar de prejudicada, a empresa diz que não tem autorização oficial para fazer a limpeza das margens próximas aos cais. A Barcas S.A disse que remove detritos apenas quando a situação é crítica, impedindo a circulação das embarcações. Até geladeiras e fogões já foram retirados da água, segundo a empresa.
O Inea afirma que faz a coleta do lixo na Baía periodicamente, mas reconhece que a limpeza nas margens é inviável, dada a enorme quantidade de material que é lançado nas águas.

Para tentar reduzir a poluição, o órgão instalou ecobarreiras nos rios que deságuam na Baía, que são apontados como os maiores 'fornecedores' do lixo que chega ao mar. Para além das barreiras, o Inea disse acreditar que o meio mais efetivo para acabar com o lixo na Baía é a educação da população para o descarte adequado, principalmente nos municípios da Baixada Fluminense.

A Secretaria Estadual do Ambiente (SEA) informou que o Programa de Saneamento da Baía de Guanabara, principal promessa do governo para a despoluição até as Olimpíadas de 2016, ainda está em fase de planejamento. O texto deverá ser submetido ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, se aprovado, receberá verba estimada em US$ 450 milhões.

domingo, 29 de maio de 2011

Conama quer negociar Código Florestal no Senado

Proposição aprovada nesta quinta-feira pede ao Congresso que amplie as negociações da revisão do projeto de lei aprovado na Câmara. Ministra Izabella Teixeira lembrou que no Senado será um novo debate.









26/05/2011




Paulenir Constâncio


O Conselho Nacional do Meio Ambiente decidiu, nesta quinta-feira (26/5), pedir ao Senado que seja rigoroso na revisão do projeto de lei que reforma do Código Florestal, aprovado na última terça-feira pela Câmara. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, cobrou uma posição firme dos membros do Conama no encerramento da 102ª Reunião Ordinária, em Brasília, pedindo que eles ampliem as negociações para toda a sociedade.


Os membros do Conselho aprovaram proposição em que solicitam, ainda, que a Casa considere nas discussões os compromissos assumidos pelo Brasil nos fóruns internacionais ambientais. O Conama se propõe, inclusive, a contribuir com o debate público amplo sobre o tema. 

"No Senado é um novo debate", lembrou a ministra. Segundo ela, há um apelo da sociedade para que os 40 anos de avanços na política ambiental brasileira não resultem em retrocesso. Ela lembrou que o Brasil "é o país mais importante do mundo em termos de meio ambiente".


Para a ministra, o país vai continuar crescendo, mas não precisa abrir mão da responsabilidade ambiental. Ela classificou de "falso" o argumento de que o cuidado com o meio ambiente atrapalharia o desenvolvimento. "É necessário sairmos do desmatamento ilegal para o manejo sustentado, que gera emprego e renda", salientou.

Izabella, que também é presidente do Conama, alertou os membros para que exerçam sua capacidade de negociação "além dos muros da área ambiental". Ela avaliou que o Conselho sairá fortalecido dependendo da atuação de seus membros. "O Conselho está numa nova fase", lembrou.

Para ela, a política ambiental avançou e já dialoga em pé de igualdade com as demais políticas públicas. Os próximos passos, segundo avalia, convergem para a construção de uma política inovadora de meio ambiente e desenvolvimento com sustentabilidade. 

Mata Atlântica pode sofrer mais perdas com mudanças no Código Florestal

Ecorregião mais devastada do País, a Mata Atlântica possui atualmente apenas cerca de 8% de sua cobertura vegetal original. A ameaça não é apenas para a biodiversidade, pois o abastecimento de água para 123 milhões de brasileiros, por exemplo, depende da conservação da cobertura vegetal nativa da região. A área é classificada como o segundo conjunto de ecossistemas mais ameaçados de extinção do mundo, perdendo apenas para as quase extintas florestas da Ilha de Madagascar, na África.
Apesar de ser uma das regiões ecológicas mais ricas do Planeta em termos de biodiversidade, o desmatamento, a exploração madeireira, a agricultura, as obras de infraestrutura e a ocupação inadequada de áreas de preservação permanente, dentre outros fatores, ocasionaram uma perda de quase 92% de sua cobertura vegetal original.
Preservação - A importância da preservação da região vai além da conservação de espécies da fauna e flora e das paisagens naturais. O abastecimento de água para uma população de 123 milhões de brasileiros e para diversas atividades produtivas de três grandes regiões do País depende da proteção efetiva das matas ciliares e dos recursos hídricos da ecorregião. Outros serviços ecossistêmicos, como regulação do clima, proteção de encostas e garantia do regime de chuvas também dependem da conservação adequada da área.
Além disso, inúmeras Áreas de Preservação Permanente (APPs) da Mata Atlântica - que incluem todas as formas de vegetação situadas nas margens de corpos d'água, topos de morro, encostas íngremes, manguezais e nascentes - correm o risco de sofrer mais degradação com as alterações que podem ser promovidas no Código Florestal.
Código - De acordo com a analista ambiental Fátima Guedes, do Núcleo Mata Atlântica do MMA, a elaboração adequada do Código Florestal é fundamental para a preservação da Mata Atlântica, especialmente os pontos da legislação que orientam sobre a necessidade de se manter áreas com vegetação nativa, como é o caso das APPs e das áreas de Reserva Legal (porcentagem das propriedades que devem manter a vegetação nativa).
"Numa região onde os diferentes ecossistemas estão muito fragmentados, a conservação do que sobrou e a recuperação desses espaços permitirá a recomposição e a formação de corredores ecológicos", afirma. Os corredores ecológicos são extensões significativas de ecossistemas que aumentam a probabilidade de sobrevivência de diferentes espécies em longo prazo e asseguram a manutenção de processos evolutivos em larga escala.
Desastres - De acordo com levantamento feito pelo MMA na região serrana do Rio de Janeiro, afetada pelas chuvas no início deste ano, a maioria dos deslizamentos ocorreu em APPs. O estudo foi realizado para comprovar a relação entre as APPs e as áreas de risco, e constatou que aproximadamente 90% dos locais mais afetados eram de Áreas de Preservação Permanente ocupadas de maneira irregular.
"Fomos verificar se as áreas atingidas pelas enchentes ou deslizamentos eram ou não consideradas APPs pelo Código. Indevidamente ocupadas por razões diversas no passado, essas áreas ficaram disponíveis para diferentes usos, mas os locais deveriam ser preservados pela sua importância ambiental e por uma questão de segurança da própria população", afirma Wigold Schaffer, consultor do Núcleo Mata Atlântica do MMA e coordenador do estudo.
Schaffer ressalta que o mesmo padrão de ocupação se repetiu no Paraná, em Alagoas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e em outras regiões onde enchentes resultaram em tragédias no Brasil. Ele explica que as áreas mais próximas dos rios costumam ser as mais atingidas.
"Verificamos que em áreas rurais a agricultura muito próxima à área do rio deixa o solo suscetível à erosão, e a enxurrada leva não só a plantação, mas também parte do solo, que sem fixação de florestas e de vegetação agrava as enchentes em centros urbanos localizados logo abaixo dos rios, entupindo pontes, bueiros e provocando a destruição a que todos temos visto", esclarece.
O consultor explica, ainda, que o afastamento de 30 metros em cada margem para a implementação de qualquer atividade produtiva ou de infraestrutura é a faixa mínima de preservação necessária para garantir a segurança e o bem estar da população e a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos na Mata Atlântica.
Desta forma, mesmo que haja uma chuva forte e o nível do rio suba, o fluxo da água terá um espaço maior para escoar. "Se a área já estiver ocupada, a destruição é inevitável. Ocorrem perdas de vidas humanas, de safra agrícola, de infraestrutura e de patrimônio. Se eliminarmos as APPs do Código Florestal vamos potencializar e agravar estes problemas no futuro. Isto é prejuízo certo", prevê Schaffer.
Alternativa - O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é uma iniciativa que já está sendo implementada na região. É uma alternativa que contribui para o aumento da renda de famílias locais e, também, para a queda do desmatamento e de outras atividades predatórias.
O instrumento funciona de maneira a complementar ações relacionadas ao manejo de recursos naturais ou usos sustentáveis da terra, como manejo sustentável de recursos não madeireiros, sistemas agroflorestais, restauração de matas ciliares e estabelecimento de corredores ecológicos.
Em um estudo coordenado pelo MMA, foram levantadas, ao todo, 79 iniciativas de PSA em diferentes fases de desenvolvimento. São 33 projetos na categoria de fixação e retenção de carbono na atmosfera, 41 relativos à água e outros cinco que tratam de conservação da biodiversidade.
O projeto Produtor de Águas e Florestas na Bacia do Rio Guandu, no Rio de Janeiro, por exemplo, estimula 18 pequenos proprietários rurais - que em sua maioria possuem áreas menores que 100 hectares - a realizarem a restauração florestal de APPs e de áreas interceptoras de água, além da conservação de florestas e do saneamento rural.
Esses agricultores estão contribuindo para a recuperação de uma grande área degradada localizada entre os maiores remanescentes de Mata Atlântica da região Sudeste, situada entre a área da reserva biológica Rio Claro e o Parque Nacional da Bocaina. A reconexão entre os trechos remanescentes dessa grande área vai possibilitar a formação de um grande corredor ecológico. Esse território abriga, ainda, diversas unidades de conservação e Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPNs).
A verba total destinada ao projeto, por ano, é de R$ 1,9 milhão, e a primeira fase (prevista para cinco anos) deve ser finalizada em 2013. O sistema Guandu abastece cerca de oito milhões de pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Área original
A área original de Mata Atlântica cobria aproximadamente 15% do território brasileiro. A parte da ecorregião reconhecida pela Lei 11.428, de 2006, foi delimitada pelo IBGE e compreende um conjunto de formações florestais e ecossistemas associados, abrangendo total ou parcialmente 17 estados e 3.410 municípios.
Características
A Mata Atlântica possui aproximadamente 20 mil espécies de flora (entre 33% e 36% das existentes no País). Em relação à fauna, os levantamentos indicam que a região abriga 849 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 de peixes. Das 472 espécies brasileiras ameaçadas de extinção, 276 são da Mata Atlântica.
Composta por um conjunto de tipos de vegetação, a ecorregião abrange faixas litorâneas do Atlântico, florestas interioranas e de araucária, campos de altitude e encraves florestais no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Sua extensão está presente também em diferentes biomas, e chega a abranger parte do território da Argentina e do Paraguai.


http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=6711

FRANÇA INVESTE EM PROJETO DE ETANOL DA BETERRABA INSPIRADA EM MODELO BRASILEIRO

Em tempos de safra, a usina de Origny Sainte-Benoîte recebe 20 mil toneladas de beterraba por dia. As raízes chegam das fazendas dos agricultores que são sócios da cooperativa. A primeira etapa é uma lavagem caprichada do produto.

Depois do banho, as beterrabas são levadas para dentro da usina. Quase toda a fabricação do açúcar ocorre em equipamentos fechados. Numa máquina, a beterraba é cortada em tiras finas e compridas. O material segue por esteiras e é levado para um esse grande tambor giratório.

Uma corrente de água quente entra em contato com as tiras de beterraba. Aos poucos, a água absorve o açúcar das raízes e do tambor sai um suco bem doce, que é a base para a fabricação do açúcar. Na sequência, o suco beterraba é bombeado pra enormes tonéis. Dentro deles, com temperaturas elevadas, ocorre a formação dos cristais de açúcar.

No final da cristalização, já dá pra ver o açúcar de beterraba, totalmente branco. Atualmente, 80% da produção das usinas francesas é vendida pras indústrias de alimentos, que usam o produto em biscoitos, massas, bolos. Os outros 20% viram açúcar de mesa, que na França é tradicionalmente consumido em cubinhos.

O gosto é igual ao do açúcar de cana. “São dois produtos à base de sacarose. O açúcar refinado de cana é equivalente ao de beterraba”, explica Philippe Pelzer, diretor de comunicação da Tereos.

Apesar da semelhança de sabor e de visual, o custo de produção diferencia muito os dois produtos. Para fazer uma tonelada de açúcar refinado de beterraba, os franceses têm um custo equivalente a R$ 1.100. Já o mesmo tipo de açúcar, saindo de uma usina de cana do Brasil, custa aproximadamente a metade desse valor. Além de ser mais barato, o nosso açúcar é produzido em quantidades muito maiores.

Os países da União Européia cultivam juntos 1,4 milhão hectares de beterraba, contam com 106 usinas em atividade e produzem 14 milhões toneladas de açúcar por ano. Já o Brasil, sozinho, tem oito milhões de hectares de cana, 440 usinas em operação e fabrica anualmente 38 milhões toneladas de açúcar. É o maior produtor e o maior exportador mundial do produto. Esta superioridade incomoda e gera conflitos.

Éric Lainé, presidente da Confederação Nacional dos Produtores de Beterraba, entidade que representa agricultores e usineiros do país fala sobre esta desigualdade. “Atualmente, não temos condição de competir de igual pra igual com o Brasil. Nem nós, os franceses, que somos o país mais produtivo da União Européia, e nem a Europa de maneira geral. Nós simplesmente não temos a mesma competitividade do Brasil”.

Segundo Éric Lainé, alguns pontos são decisivos pra que o açúcar brasileiro seja mais barato. Enquanto a beterraba precisa ser replantada todos os anos por sementes, os canaviais só precisam ser renovados a cada seis anos, uma vantagem em termos de custos. A safra da beterraba, na Europa, dura menos de um trimestre. A de cana, no Brasil, se espalha por nove meses, o que garante o funcionando das usinas por mais tempo.

Outra diferença central vem de um subproduto da cana, o bagaço, usado para gerar eletricidade. Todas as usinas do Brasil têm termoelétricas próprias, são autossuficientes em energia e, muitas, vendem a eletricidade que sobra. Uma energia barata e renovável. Já as usinas de beterraba normalmente geram eletricidade queimando carvão mineral, gás ou óleo diesel, fontes mais sujas, não renováveis, e que encarecem o custo do açúcar.

Por isso, pra evitar uma invasão do produto brasileiro, os europeus utilizam barreiras tarifárias, que encarecem o preço do açúcar e na prática inviabilizam o negócio. “O Brasil nos estimula e nos força a melhorar a nossa produtividade. Afinal, eu devo dizer claramente: nós não queremos importar açúcar do Brasil, pois achamos que a União Européia deve ser autossuficiente em açúcar. Por isso, as barreiras tarifárias são essenciais. Elas fazem parte de uma estratégia de independência na produção agrícola”, declara Lainé.

Entre 2002 e 2005, brasileiros e europeus travaram uma dura batalha na Organização Mundial do Comércio, a OMC. Liderados pelo Brasil, países produtores de cana, como Austrália e Tailândia, acusaram as usinas da Europa de exportar grandes volumes de açúcar subsidiado, o que provocava uma competição injusta no mercado internacional.

Em 2005, a OMC deu ganho de causa aos produtores de cana e obrigou a Europa a reduzir drasticamente as exportações. A derrota na OMC abriu uma crise na cadeia da beterraba. Usinas fecharam, a produção de açúcar caiu mais de 20% e milhares de agricultores abandonaram a atividade. Os países mais atingidos foram os menos produtivos, como Portugal, Grécia e Itália.

Na França, uma das saídas pra amenizar o tombo foi estimular outros produtos feitos com a raiz. Entre eles um combustível: o etanol de beterraba. “Existe uma decisão dos países da Europa de aumentar o uso de energias renováveis e o etanol tem sido muito estimulado. Ainda estamos no começo, mas é algo importante pros nossos agricultores. Afinal, parte da beterraba que antes era destinada ao açúcar, hoje pode ser usada pra produção de etanol”, afirma Lainé.

A fabricação do combustível se baseia na fermentação daquele suco doce, que a gente viu na usina. Uma vez pronto, o etanol é misturado na gasolina, na proporção de 7%.

Além disso, os franceses lançaram recentemente os seus primeiros carros flex. Eles aceitam tanto a gasolina comum, quanto um combustível que contém até 85% de etanol, mas o projeto ainda não decolou. “Nós temos hoje apenas 14 mil carros flex rodando na França, o que é pouco. A nossa dificuldade é que não há muitos postos equipados com bombas de etanol e, por isso, os fabricantes não se animam a fazer carros. Ao mesmo tempo, com poucos carros nas ruas, os postos não querem instalar as novas bombas”, explica.

Para sustentar o avanço do etanol, nos últimos anos, as usinas tiveram que investir na construção ou na ampliação de destilarias. A destilaria pertencente à cooperativa dos beterrabeiros foi inaugurada em 2006 e fica logo ao lado da antiga instalação industrial de açúcar. Com capacidade de produção de 300 milhões de litros por ano é a maior destilaria de beterraba do mundo.

“Na destilaria, além do etanol combustível, nós fabricamos outros tipos de álcool de beterraba. São produtos que entram na elaboração de perfumes, bebidas e também na indústria química e farmacêutica. Os agricultores da cooperativa investiram na nova instalação porque acreditam no futuro do álcool e de etanol”, declara Lainé.

Além de apostar em novos produtos, na última década, os beterrabeiros da cooperativa decidiram ir ainda mais longe - literalmente. Eles resolveram investir na cana-de-açúcar do Brasil.

A cooperativa dos beterrabeiros da França iniciou seus investimentos no Brasil em 2001, num gigante do açúcar e do etanol, a usina Cruz Alta, que fica no município de Olympia, no estado de São Paulo.

Produzindo bem, em apenas dez anos o grupo dos beterrabeiros ampliou bastante a sua operação no brasil. Atualmente, ele conta com sete usinas e trabalha com trezentos mil hectares de cana, uma superfície que se já aproxima da área total de beterraba na França.

Para não faltar dinheiro pras novas expansões, o grupo atraiu um parceiro brasileiro de peso. A Petrobras se tornou sócia das usinas e planeja investimentos gigantescos. “Nos próximos três anos nós devemos chegar a 24 milhões de toneladas de cana”, declara Jaime Stupiello, agrônomo e diretor agrícola.


Com o crescimento acelerado dos últimos anos, a produção de açúcar e etanol no Brasil já se firmou como um dos pilares econômicos do grupo. Atualmente, a cana brasileira já representa cerca de um terço do faturamento global da empresa. Um negócio que gira em torno de 1,3 bilhão de reais por ano.

Na opinião de Denis Lequeux, produtores de cana e beterraba não são apenas concorrentes, mas também parceiros. Como membro da cooperativa, uma vez por ano ele entra na divisão dos lucros das atividades do grupo. Sem citar números, Denis conta que, por enquanto, os investimentos na cana ainda não fazem grande diferença no bolso dos beterrabeiros. Até agora o grosso do lucro da atividade tem sido reinvestido no Brasil.


Um balanço dos negócios da fazenda de Denis, baseados numa série de fontes de renda, mostra que ele tem o ganho do trigo, da cevada, da fava, além da divisão dos lucros da cooperativa, mas a principal receita da família é a beterraba. Segundo ele, o produto deixa um lucro líquido anual equivalente a R$ 2.300 por hectare.

“É uma cultura bem rentável. Ela dá trabalho, exige muito preparo, mas tem resultados melhores do que o trigo, por exemplo. Então, pra quem pode produzir, a beterraba vale à pena, com certeza”, declara.
Outra fonte de renda importante é o subsídio público, que Denis recebe uma vez por ano. O repasse representa cerca de 20% do faturamento bruto da fazenda. “Até há alguns anos, a nossa beterraba era usada essencialmente pra produzir açúcar. Agora, nós temos também o etanol, vários tipos de álcool, além dos investimentos da cooperativa. Então, a nossa cadeia econômica está se tornando mais competitiva com todas as inovações”, diz.

Com o trabalho sério de famílias como esta, os subsídios e as barreiras tarifárias, o cultivo da beterraba atravessou os séculos nos campos da Europa.

Ameaçada, mas também inspirada pela cana de açúcar do Brasil, a cadeia produtiva vem se renovando nos últimos anos. E, apesar das dificuldades, permanece viva como um dos pilares da agricultura do velho continente.

EXERCENDO NOSSOS DIREITOS

Um carrapato e um pedaço de pano encontrados num queijo tipo ricota fresca resultaram no pagamento de indenização a uma família, por danos morais, no valor de R$ 40 mil, em Belo Horizonte. Essa decisão é da 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).  

Um casal e duas filhas menores contam que, em maio de 2007, compraram uma ricota da marca Roça Grande, no Epa Supermercados. Segundo a família, "após o consumo de mais da metade do queijo encontraram no seu interior um carrapato e um pedaço de pano". 

O Epa Supermercados alegou que não existem provas da falha na prestação de serviços. Afirmou ainda que "a responsabilidade civil nos casos de acidente de consumo é restrita ao fabricante". 

A empresa Laticínios Fadel Souza Ltda. explicou que "a ricota é fabricada com o soro obtido do leite, dentro dos mais modernos padrões de fabricação e sem utilização de panos. E mais ainda, em altas temperaturas, o que leva à dedução da impossibilidade total da existência de qualquer tipo de animal ou qualquer tipo de dejeto nos produtos". 

O juiz da 5ª Vara Cível da Capital, Antônio Belasque Filho, julgou procedente o pedido, condenando a fábrica de laticínios e o supermercado, solidariamente, ao pagamento de uma indenização no valor de R$ 10 mil a cada um dos autores a título de danos morais. 

Inconformada, Epa Supermercados recorreu da sentença. Mas o relator do recurso, desembargador Mota e Silva, baseando-se no Código de Defesa do Consumidor, entendeu que "o fabricante, o distribuidor e o comerciante respondem por danos causados em razão de presença de corpo estranho em produto que se mostra impróprio para o consumo, impondo-se a cada um deles garantir a sua qualidade e adequação". 

E continua, "ao comercializar o produto impróprio para consumo e independentemente da respeitabilidade da empresa varejista e do fabricante, as requeridas respondem pelo vício do produto e pelos danos que porventura tenha acarretado". 

Com esses argumentos confirmou integralmente a sentença de 1ª Instância. Os desembargadores Arnaldo Maciel e Guilherme Luciano Baeta Nunes concordaram com o relator. 

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2706918/alimento-danificado-gera-indenizacao

quarta-feira, 25 de maio de 2011

MARTINHA CLARET E FERNANDO HADDAD

Guardem bem esses nomes, porque eles são os responsáveis por um dos mais abomináveis atos que o Ministério da Educação poderia intentar.

O Ministério da Educação e Cultura quer acabar, até o final do presente ano (2011), com as escolas especializadas INES (Instituto Nacional de Educação dos Surdos) e com o Instituto Benjamin Constant, especializada no ensino dos cegos, situados em Laranjeiras e Urca, respectivamente. São colégios centenários, sob responsabilidade do Governo Federal, fundados em tempos em que os governantes tinham o COMPROMISSO com um ensino de qualidade e que visasse a inclusão dos deficientes visuais e fono-auditivos não só ao mercado de trabalho, mas à vida, lhes dando mais dignidade.

Entretanto, saudosos tempos...eis que não voltam mais. Não temos hoje, governantes que se importem com a inclusão e dignificação dos que necessitam de amparo e um ensino de qualidade e especializado às suas limitações. Esta senhora, Martinha Claret, justifica que tal medida deve ser tomada para que se evite a perpetuação das "políticas de gueto", que oferece métodos de ensino diferenciado.

POLÍTICAS DE GUETO???

O Instituto de Aplicação do INES "abriga" aproximadamente 500 alunos com necessidades especiais fono-auditivas, desde o maternal até o último ano do ensino médio, além de ser o único órgão a formar pedagogos aptos ao trabalho com crianças e jovens surdos, ministrando aulas em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). No Instituto Benjamin Constant, são cerca de 300 alunos, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. O MEC pretende acabar com esses colégios para "jogar" seus alunos em escolas de ensino regular, escolas comuns sem qualquer especialização para receber esse público especial, com profissionais sem qualquer qualificação, fechando centros educacionais que, além de lidarem com os portadores de necessidades indubitavelmente especiais, formam profissionais preparados para esse tipo de ensino, como no caso do INES. E é essa a política de inclusão do MEC - Ministério da Educação (???) e Cultura? Diz-se que tais Institutos segregam os deficientes da sociedade, e que é necessário incluí-los em escolas de ensino regular. “As pessoas não podem ser agrupadas em escolas para surdos porque são surdas”, de acordo com a digníssima Sra. Martinha Claret.

E isso não seria a verdadeira segregação?

Muito falamos em Bullying e em medidas para evitá-lo, mas é isso mesmo o que vai acontecer com os jovens e crianças cegos e surdos que forem matriculados em escolas públicas comuns, por não terem o auxílio de profissionais especializados, além de estarem com crianças e jovens que não têm preparo para lidar com esse público especial.

Temos, de uma vez por todas, de parar com o SOFISMO neo-político de inclusão, causando potenciais danos a cidadãos que, por eras, foram excluídos do convívio social justamente pela inadequação dos métodos de ensino às suas peculiaridades.

Ao invés dessa funesta tentativa do MEC de inviabilizar uma possibilidade real de inclusão de CENTENAS de jovens e crianças - e até adultos - à vida social e ao mercado de trabalho, deveria ter CORAGEM para aumentar o número de Instituições que os acolhesse, aprimorar o ensino nessas áreas especiais, capacitar mais educadores especializados, investindo em material didático que suprisse as necessidades educacionais do setor, já que não o faz no ensino público regular. E se o Governo Federal é INCOMPETENTE para fazê-lo, que o Estado ou o Município, por suas respectivas Secretarias de Ensino, comprometa-se em realizar as adequações educacionais necessárias, com a criação de políticas públicas efetivamente contribuam com a inclusão social dos portadores de deficiências visuais e fono-auditivas.